( coração, o músculo mais teimoso)

 ( às vezes é preciso saber estar num modo entre o aberto e o fechado. entre o norte e o sul o este e o oeste. entre o salgado o picante e o doce. há a verdade da saudade a mentira de partir e o chegar. não é leve mas também não é pesado, tonifica o coração, que é o músculo mais teimoso. entre a sexta e o domingo será sempre sábado, não é quente nem é frio, é morno e às vezes sabe bem entregarmo-nos ao conforto do meio termo para ganharmos novo fôlego para os motores voltarem a aquecer e seguirmos assim confiantes a caminho de onde sabemos que queremos realmente chegar. ) (RJ)


( às vezes é preciso saber estar num modo entre o aberto e o fechado. entre o norte e o sul o este e o oeste. entre o salgado o picante e o doce. há a verdade da saudade a mentira de partir e o chegar. não é leve mas também não é pesado, tonifica o coração, que é o músculo mais teimoso. entre a sexta e o domingo será sempre sábado, não é quente nem é frio, é morno e às vezes sabe bem entregarmo-nos ao conforto do meio termo para ganharmos novo fôlego para os motores voltarem a aquecer e seguirmos assim confiantes a caminho de onde sabemos que queremos realmente chegar. )
(RJ)

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( ouvir é a mais pura maneira de calar )

 Vem à Quinta-feira.  É quase fim-de-semana e podemos, talvez, beber uma cerveja  ao cair da tarde, enquanto planeamos a viagem a Paris. E se Paris  for muito caro - sei que isto não está fácil - podemos ir a Guimarães  assistir a um concerto, que ouvir é a maneira mais pura de calar.  Vem à Quinta-feira.  A seguir, temos ainda a Sexta e talvez me esperes à porta do emprego,  e talvez fiques para Sábado e Domingo, e talvez o mundo pare  de acabar tão depressa.  Vem à Quinta-feira.  Mas não venhas nesta, vem na próxima.  Nesta, tenho um compromisso que não posso adiar, é um compromisso  profissional - sabes que isto não está fácil - e talvez nos dê hipótese de irmos  a Paris ou a Guimarães. Vem na próxima, que eu preciso de tempo  para arranjar o cabelo, para arranjar o coração,  para elaborar a lista do que me falta fazer contigo.  Vem à Quinta-feira e não te demores.  Enquanto te escrevo, já fui elaborando a lista  (sabes como gosto de pensar em tudo  ao mesmo tempo)  e afinal o que me falta fazer contigo   não é caro:  - viajar de auto-caravana, - dançar pela Estrada Nacional,  - ver-te chorar.  Choras tão pouco. Ainda bem que estás contente.  Vem à Quinta-feira.  Se não pudermos ir a Paris ou a Guimarães, não te preocupes.  Vem na mesma, que eu vou apanhando as canas-da-índia, as fiteiras,  eu vou recolhendo a palha e reunindo cordas e lona.  Já estive a aprender no Youtube como se faz uma cabana.  Vem na mesma, que eu vou procurando um lugar seguro.  Vem na mesma porque a cabana, como a casa, só funciona com amor - ou, pelo menos, é o que diz o Youtube.  Temos ainda tanto para fazer.  Por isso, se algum dia voltares, meu amor, volta numa Quinta.  Filipa Leal, in "21 Cartas de Amor"  ( fotografia autor desconhecido )   (RJ)


Vem à Quinta-feira.
É quase fim-de-semana e podemos, talvez, beber uma cerveja
ao cair da tarde, enquanto planeamos a viagem a Paris. E se Paris
for muito caro – sei que isto não está fácil – podemos ir a Guimarães
assistir a um concerto, que ouvir é a maneira mais pura de calar.
Vem à Quinta-feira.
A seguir, temos ainda a Sexta e talvez me esperes à porta do emprego,
e talvez fiques para Sábado e Domingo, e talvez o mundo pare
de acabar tão depressa.
Vem à Quinta-feira.
Mas não venhas nesta, vem na próxima.
Nesta, tenho um compromisso que não posso adiar, é um compromisso
profissional – sabes que isto não está fácil – e talvez nos dê hipótese de irmos
a Paris ou a Guimarães. Vem na próxima, que eu preciso de tempo
para arranjar o cabelo, para arranjar o coração,
para elaborar a lista do que me falta fazer contigo.
Vem à Quinta-feira e não te demores.
Enquanto te escrevo, já fui elaborando a lista
(sabes como gosto de pensar em tudo
ao mesmo tempo)
e afinal o que me falta fazer contigo
não é caro:
– viajar de auto-caravana,
– dançar pela Estrada Nacional,
– ver-te chorar.
Choras tão pouco. Ainda bem que estás contente.
Vem à Quinta-feira.
Se não pudermos ir a Paris ou a Guimarães, não te preocupes.
Vem na mesma, que eu vou apanhando as canas-da-índia, as fiteiras,
eu vou recolhendo a palha e reunindo cordas e lona.
Já estive a aprender no Youtube como se faz uma cabana.
Vem na mesma, que eu vou procurando um lugar seguro.
Vem na mesma porque a cabana, como a casa, só funciona com amor
– ou, pelo menos, é o que diz o Youtube.
Temos ainda tanto para fazer.
Por isso, se algum dia voltares, meu amor, volta numa Quinta.
Filipa Leal, in “21 Cartas de Amor”
( fotografia autor desconhecido )
(RJ)

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( de convite na mão )

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Fotografia de João Tabarra ( “Não sabemos ao certo se aquela imagem se trata de um convite para saltar o muro ou para navegar entre a sublime paisagem de icebergs que se avista no horizonte. Arrisquemo-nos a entrar.”) (RJ)

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( o colo, incondicionalmente, seguro )

 "Algumas Reflexões Sobre a Mulher -  Elas são as mães: rompem do inferno, furam a treva, arrastando os seus mantos na poeira das estrelas. Animais sonâmbulos, dormem nos rios, na raiz do pão. Na vulva sombria é onde fazem o lume: ali têm casa. Em segredo, escondem o latir lancinante dos seus cães. Nos olhos, o relâmpago negro do frio. Longamente bebem o silêncio nas próprias mãos. O olhar desafia as aves: o seu voo é mais fundo. Sobre si se debruçam a escutar os passos do crepúsculo. Despem-se ao espelho para entrarem nas águas da sombra. É quando dançam que todos os caminhos levam ao mar. São elas que fabricam o mel, o aroma do luar, o branco da rosa. Quando o galo canta desprendem-se para serem orvalho. " Eugenio de Andrade  (RJ)


“Algumas Reflexões Sobre a Mulher –
Elas são as mães: rompem do inferno, furam a treva, arrastando os seus mantos na poeira das estrelas. Animais sonâmbulos, dormem nos rios, na raiz do pão. Na vulva sombria é onde fazem o lume: ali têm casa. Em segredo, escondem o latir lancinante dos seus cães. Nos olhos, o relâmpago negro do frio. Longamente bebem o silêncio nas próprias mãos. O olhar desafia as aves: o seu voo é mais fundo. Sobre si se debruçam a escutar os passos do crepúsculo. Despem-se ao espelho para entrarem nas águas da sombra. É quando dançam que todos os caminhos levam ao mar. São elas que fabricam o mel, o aroma do luar, o branco da rosa. Quando o galo canta desprendem-se para serem orvalho. ” Eugenio de Andrade
(RJ)

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( planos para depois )

acordei cedo, muito cedo, olhei para ti e senti que ainda estavas no primeiro sono e nao te acordei, dei te um beijo leve no cabelo e sai, fui correr e parei no mercado mais longe, comprei coisas  frescas e regressei a casa em passo de passeio a reparar em todos os pormenores da cidade para depois te contar, quando cheguei ainda estavas por acordar, como achei que já eram horas acordo te com um beijo demorado e encosto o meu corpo ao teu ... tens planos para depois, seja lá quando isso for ?   (RJ)

acordei cedo, muito cedo, olhei para ti e senti que ainda estavas no primeiro sono e nao te acordei, dei te um beijo leve no cabelo e sai, fui correr e parei no mercado mais longe, comprei coisas frescas e regressei a casa em passo de passeio a reparar em todos os pormenores da cidade para depois te contar, quando cheguei ainda estavas por acordar, como achei que já eram horas acordo te com um beijo demorado e encosto o meu corpo ao teu … tens planos para depois, seja lá quando isso for ?
(RJ)

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( o contador de histórias)

" Era inevitável: o cheiro das amêndoas amargas lembrava lhe sempre o destino dos amores contrariados...”  GGM

” Era inevitável: o cheiro das amêndoas amargas lembrava lhe sempre o destino dos amores contrariados…” GGM

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( duelos de Março )

... Inverno vs. Primavera já a querer SER. (RJ)

… Inverno vs. Primavera já a querer SER.
(RJ)

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